Arte da Itália
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci, expoente da estética humanista da Renascença italiana, Gallerie dell'Accademia, Veneza.
Arte italiana é a expressão utilizada para caracterizar todo o processo evolutivo das artes visuais que floresceram no território atualmente compreendido pelaItália, desde as manifestações artísticas da Antiguidade até os dias de hoje. Na Roma Antiga, sob influência da cultura helênica, a região da Itália se tornou um importante centro de difusão da chamada teknê grega e da ars latina (concepção que unia a habilidade artística à capacidade produtiva do indivíduo), com fortes consequências no campo da escultura, da cerâmica e da arquitetura. Séculos mais tarde, durante a Idade Média, a arte italiana contribuiu para uma nova concepção estética do estilo gótico, opondo-se a seus efeitos dinâmicos em favor de uma interpretação mais paleocristã. O Renascimento, por sua vez, implicou uma busca de uma linguagem racional e na valorização da herança da Antiguidade. De forma ambivalente, o Maneirismo buscará estabelecer limites a esses elementos clássicos, ao mesmo tempo que endossará a academização da produção artística italiana. No Barroco lançam-se as premissas de uma arte pomposa e de efeitos - cujo rebuscamento atingirá seu ápice no Rococó e seu o ocaso no Neoclassicismo. No que tange à arte moderna, a Itália terá noFuturismo uma de suas mais singulares criações.
|
· |
|
· |
|
|
Busto etrusco.
Ver artigo principal: Arte etrusca
A arte da civilização estrusca tem seu apogeu entre os séculos VIII e II a.C. Habitantes da Itália central (atual Toscana), os etruscos sofrem diversas influências no campo das artes de outras civilizações do Mediterrâneo (fenícios, egípcios, assírios). Mas é sobretudo o contato com a cultura helenística que possibilitará aos etruscos a apropriação de determinados elementos de técnica escultórica e do modelado que mais tarde serão a base para o desenvolvimento de um estilo de características bastante peculiares - que por sua vez exercerá inconteste influência sobre a arte romana, até ser totalmente absorvido por esta já no século I d.C. Os artistas etruscos eram habilidosos artesãos, aptos a trabalharem com diversos suportes (terracota, cerâmica, bronze, ouro, marfim) e a criarem peças para as mais distintas funções (estatuária religiosa e fúnebre, buccheros, jóias, entre outros). Também eram versados na execução de bustos e afrescos, utilizados, sobretudo, na decoração de câmaras funerárias.
[editar]Arte romana
Ver artigo principal: Arte da Roma Antiga
Afresco da Vila dos Mistérios,Pompeia.
A arte romana só adquiriu personalidade própria tardiamente. Em suas origens, sofreu influência dos etruscos e, por intermédio destes, do helenismo, que conheceu também graças à proximidade das colônias gregas. A partir das primeiras grandes conquistas (meados do século IV - meados do século II a.C.), os butins enriqueceram Roma com numerosas obras helenísticas, o que estimulou, juntamente com os artistas gregos, o desenvolvimento das artes plásticas. A partir do século II a.C., as artes visuais romanas, assim como a arquitetura e o urbanismo, eram destinadas a secundar os intentos políticos do império. Ao fim dessa época, a decoração mural pintada (I estilo) se reduz à imitação dos revestimentos de mármore. Posteriormente, desenvolve-se o II estilo, com a introdução dos espaços imaginários, do que dão testemunho os afrescos e mosaicos de Herculano e Pompeia. Sob o império de Augusto, desenvolve-se o III estilo (por volta de 15 a.C.), que se notabiliza por uma reação contra o irrealismo da época precedente, no momento em que, sob Nero, o IV estilo reaparecerá na decoração arquitetônica, enquadrando paisagens imaginárias já entrevistas no II estilo. Durante o reinado de Adriano, surgem os sarcófagos ornados combaixos-relevos, ao passo que a escultura oficial deixa transparecer o classicismo helenístico. Sob Constantino, a arte romana experimenta uma autêntica renascença clássica. Desde então, a sobrevivência helenística e a tradição oriental, intimamente ligadas, seriam o fermento da arte cristã oficial e da arte bizantina.
[editar]A arte medieval
Ver artigo principal: Arte da Idade Média
Durante a Idade Média, sob influência da Igreja Católica, a produção artística italiana se voltará à temática religiosa. Não obstante a predominância de temas sacros, aprofunda-se a incorporação de distintas correntes estéticas, em razão da convivência, pacífica ou não, com os chamados povos bárbaros, e das diferentes acepções que a arte cristã possuía no território europeu.
[editar]Arte paleocristã
Ver artigo principal: Arte paleocristã
Página do Vergilius Vaticanus,iluminura do século V na Biblioteca do Vaticano.
O triunfo do cristianismo determinou uma rápida transformação das formas arquitetônicas antigas às necessidades da liturgia. A partir do século IV, surgem dois tipos de plantas: a basílica, de longas naves e transepto com abside (Basílica de São Pedro, Roma) e o santuário com plano central dos batistérios e mausoléus (Santa Constância, Roma, c. 350). O desenvolvimento da arquitetura e a consequente necessidade de decorar vastas superfícies irá impulsionar a execução de mosaicos, bastante difundidos na Mesopotâmia e profundamente ligados à tradição greco-romana. Utilizado na decoração interna de igrejas, o mosaico permitirá produzir vibrantes imagens policromáticas, ao substituir cubos de mármore por pedaços de vidro colorido. No que tange à escultura, as restrições do Antigo Testamento à idolatria acabarão por restringir dramaticamente a liberdade artística vigente em períodos anteriores e a as possibilidades expressivas. Não obstante, a pintura mural persiste, sobretudo na decoração das catacumbas romanas, nas quais se percebe a influência da arte romana tardia, na busca de elementos arquitetônicos para embasar a ilusão espacial e as figuras planas de corpo proporcional. Os motivos pagãos persistentes serão reformulados, ganhando novas interpretações de cunho cristão.
[editar]Do século V ao século IX
Afresco do século V no Mausoléu de Galla Placidia, Ravenna.
Com a divisão do Império Romano (395) e sua posterior dissolução, apagou-se o prestígio de Roma. Ravena torna-se a capital (402), alternadamente latina,bárbara e bizantina, rica em monumentos nos quais o mosaico, nova decoração mural, se elevou à altura de arte maior (mausoléu de Gala Placidia, c. 425; basílicas de São Vital, 531, e de San Apollinare in Classe, c. 540). A partir do século V, surgem as iluminuras, que devem sua importância, no contexto do cristianismo, à necessidade de manutenção e propagação das escrituras sagradas. Não obstante sua função religiosa, elas apresentam uma rica variedade cromática, não isenta de certa influência da estrutura espacial e da geometrização típicas da pintura greco–romana. No século VII, no norte da Itália, então sob o domínio lombardo, desenvolveu-se uma civilização original que se manteve até a época carolíngia (afrescos de Castelseprio, fim do século VII - início doséculo VIII), ao passo que Veneza se voltou resolutamente para Bizâncio, ligando-se por muito tempo ao Oriente.
[editar]A arte românica
Ver artigo principal: Arte do românico
Púlpito do Duomo de Ravello, executado em 1272 por Niccolò di Bartolomeo.
Por volta do ano 1000, nasceu, no norte da Itália, a primeira arte românica meridional, caracterizada por edifícios de exteriores simples, decorados por bandas lombardas, com campanários adjacentes e volumes interiores articulados e mais frequentemente cobertos com telhados do que com abóbadas. Uma importante diversificação ocorreu em seguida: na planície do rio Pó, as fachadas passaram a ostentar galerias em arcadas (igrejas de Pavia, Como, catedrais de Módena, Ferrara, Parma) e algumas grandes basílicas cobriram-se de abóbadas em ogivas de perfil triangular (Santo Ambrósio de Milão, c. 1100). A tradição bizantina imperou na Catedral de São Marcos, em Veneza (consagrada em 1094). Na Toscana, prevaleceram a beleza dos materiais e a decoração exterior (catedral, batistério e campanário de Pisa; batistério e igreja de São Miniato em Florença). A região sul, ocupada pelos normandos, privilegiou a monumentalidade sem, no entanto, renunciar aos efeitos decorativos, como nas igrejas com mosaicos da Sicília (catedrais de Palermo, Cefalu,






